quarta-feira, 16 de março de 2011

Nostalgia sem lembrança, apenas esperança

Por vezes chego a pensar que esse ciclo nunca se quebra...
Que essa maresia* insiste em voltar a penetrar meu ar,
Me envolvendo em uma onda de nostalgia.
Me pergunto o por quê?
Se de nenhuma maneira tivemos algo que nos unisse no passado,
Tão pouco no presente...
E o futuro, só a Deus pertence!
Me pego imaginando coisas...
Como se existisse alguma possibilidade de haver um eu e você.
Como se parte de mim já se rendesse,
E uma parte de você me pertencesse.
Que sensação estranha é essa?
Ahhh sim... o mundo parou! No mesmo instante em que você me olhou...
Devagar o tempo volta a pulsar,
Se contrapondo ao sangue acelerado em minhas veias.
Sem forças para me controlar, eu luto contra tudo isso.
Evitando sentir o que sinto... evitando me render a cair em sua teia...
Pouco a pouco eu me afasto...
Eu me contenho.
Porém, incapaz de manter uma distância segura.
Incapaz de não me deixar levar pela beleza do seu sorriso...
Incapaz de não mergulhar nas profundezas do seu olhar!
Lá estou eu mais uma vez,
Me perdendo em meus devaneios.
Confundindo realidade e ilusão...
Um sonho idealizado, mas quase real.
Fecho os olhos e seguro firme a respiração.
É só mais um dia...
E a sua lembrança a minha mais triste alegria...
É a tal daquela nostalgia...
Aquela sem lembrança...
Apenas esperança...

A.C.S.




*Maresia: Estado de total inércia, falta de energia para fazer qualquer coisa (num sentido pessoal), também significando paradeiro, silêncio, falta de movimento (num sentido externo);
Brisa marinha; ar de região litorânea; uma névoa fina, úmida e salgada que paira sobre cidade litorânea e oxida metais.

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