sábado, 29 de dezembro de 2012

Sede

Uma sede de você...
Só uma sede de você...
Sede que me entontece...
Sede que me entorpece...

Quero lhe beber...
Beber de seus beijos...
Beber de seu toque...
Beber simples e puramente você...

Tomar lhe cada gota vagarosamente...
Tomar lhe por inteiro...
Como água escassa em meio a um deserto...
Quero tomar lhe e me perder nesse êxtase...



A.C.S.


Em um mundo de caça e caçadores...


Vivemos em lugar que chamamos de mundo, localizado em um tempo e espaço, enquanto questões permeiam nossa existência. Quem somos? Para onde vamos? Perguntas que na maioria não encontramos uma resposta.
No entanto, talvez não haja um outro lugar para onde ir. Somos lançados no mundo e uma vez lançados não há mais como fugir... Quando aqui chegamos somos então presos e condenados a existir!
Um paradoxo... pois, uma vez que somos lançados nos tornamos livres para escolher e escrever nossa história, nada nos determina, e a nada somos determinados, exceto o existir e o morrer. Nascemos então para a morte? Tão só aqui chegamos e tão só daqui partiremos? Mas que liberdade seria essa então? No ponto onde tudo começa se inicia a iminência da morte... e a luta pela sobrevivência.
Do alto do céu surge um ponto negro, quase que imperceptível se põe a dirigir em direção ao solo, tão veloz quanto uma bala. Com suas garras a ave atinge sua presa de maneira brutal, sem lhe dar a chance de escapar, um golpe implacável. Uma cena da vida selvagem que se repete todos os dias de nossas vidas. Somos selvagens, vivendo à mercê de uma selva de pedras, em um mundo de caça e caçadores, somos a presa fugindo do golpe fatal do predador, e o predador é o próprio homem. O homem fugindo de si mesmo...


A.C.S.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Perseguindo o utópico, perseguindo você


Lá estava eu... com aquele frio na barriga que há muito não sentia, sensação que chega sem avisar... que simplismente vem, e tira o chão e o ar...
Não quis adminitir, não quis me deixar levar, mas agora é tarde para tomar uma outra direção.
É por você que meu coração bate mais forte, e é de você toda essa onda de sensações: o frio na barriga, o não existir das horas, essa ânsia de você, esse desespero em poder estar em seus braços...
E de repente eu estou lá... a beira do abismo. Aquele abismo que nos separa... Sem pensar duas vezes, eu pulo. Sem medo de cair, me jogo, na tentantiva vã de alcançá-lo. 
E a queda livre vem, não importando o tamanho do salto que eu dê, a queda é inevitável quando se persegue o utópico, quando se persegue você.


A.C.S.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Te vejo em breve, ou não tão breve assim...


Durante muito tempo eu tentei evitar isso... eu tentei me esconder... por vezes eu fugi... mas toda essa inércia cansa... e a anestesia uma hora tem que passar... 
Enquanto o tempo escorria entre meus dedos, a letargia urgia... eu era capaz apenas de sentir o peso do mundo sobre mim, sufocando todos os meus gritos.
Não sei quando, nem como... mas você apareceu... era como se já nos conhecessemos, mas ninguém saberia responder ao certo de onde...
Com você veio a calmaria, a tranquilidade e a leveza que minha vida precisava para encerrar um ciclo, mas ao me tirar da inércia total e me acordar dessa letargia que anestesiava meus sentidos, eu não podia mais fugir, tão pouco me esconder...
A vida não dá tréguas, precisava apenas viver o curto espaço de tempo que a vida me reservava. Foi então que mergulhei, eu sempre soube que o adeus seria inevitável... eu sempre soube que quando chegasse a hora de partir eu hesitaria... mas se é assim que tem que ser... não lamento por ter tido tão pouco tempo, por mais que eu desejasse no mais íntimo do meu ser que o mundo parasse naquele instante em que esteve entre meus braços, e eu pude sentir seu coração pulsar junto do meu... não posso mais adiantar o inevitável...
Em seus braços eu pude ser quem sou!
Em uma ânsia de ser eu mesma, me entreguei meio do avesso, mesmo sem saber por onde começar, tão pouco  para onde ia... se é que há como saber... mesmo queimando etapas, e é assim, meio sem jeito que eu tenho que partir, e deixá-lo ir. 
Talvez quando eu voltar eu tenha mais tempo, ou talvez não tenha tempo nenhum...


A.C.S.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Um ciclo se encerra



Era para ser sublime, reconfortante, satisfatório... No entanto, é assustador, angustiante... Aprovada! Quatro anos construindo um sonho, escrevendo uma história. O equilíbrio agora é fundamental para se equilibrar nessa corda bamba, sem ter para onde ir, sem referências para se sustentar, eis que se encerra um ciclo e uma nova caminhada se inicia.
É necessário continuar acreditando. A espera é necessária. Mas crescer dói, trabalhar cansa, e é assim que nos tornamos pessoas de valores. Quatro anos acumulando conhecimentos, quatro anos de convivência, de alegrias, de tristezas, de angústias, experiências e euforia...  
É difícil descrever os sentimentos que emergem dentro de mim...
Cada abraço é uma despedida, e as lágrimas insistem em queimar a borda dos meus olhos perdidos, um adeus ecoa ao fundo de cada memória revivida em minha mente.
Viver de contínuas esperanças, machuca, rouba o fôlego... Mas, viver órfão de esperanças é pior ainda. É suicídio lento!
A caminhada agora é por si só, mas não por isso deixará de ser intensa, árdua, e recompesante.
Não existe glória na meia entrega!

A.C.S.