terça-feira, 27 de julho de 2010

Encruzilhada - Parte 3

Aos poucos a dor vai passando, e o oxigênio chega com mais facilidade em meu cérebro, meu coração volta a bater de modo normal. O oco em meu estomago para de queimar, a luz volta a se penetrar em minhas vistas que se focam outra vez. Agora sou capaz de pensar com clareza, e ver como foi melhor termos tomado caminhos diferentes.
Sem mais tempo perdido, esperando por aquele que se recusava a vir... Sem mais ter que pedir pelo doce beijo de boa noite, pelo abraço acolhedor, pela atenção, pelo carinho, que ultimamente não chegavam de forma voluntária.
Começo a me sentir melhor, menos sufocada... Sufocada pela ânsia de estar ao seu lado...
No começo parece impossível se sentir melhor, mas depois vemos que o que não mata fortalece, e que dias melhores virão!
Nessa certeza sigo em frente, e agora sem me privar das coisas que eu quero. Foi bom enquanto durou, e que pena que acabou... E se acabou é porque esse amor não era pra ser nosso...
Talvez essa seja a última parte dessa encruzilhada, pois meu luto já está sendo elaborado, já aceitei, agora as feridas vão se fechando graças ao tempo, que tanto culpamos por não nos ser sempre favorável... e com ele aprendemos que o fato de ter simplesmente acontecido supera o de ter acabado...
Agora é hora de ver a vida por outros horizontes... O poder reviver é sublime!


A.C.S.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Encruzilhada - Parte 2

"A dor é inevitável... o sofrimento é opcional."
"A corda sempre arrebenta do lado mais fraco", e eu nunca mais serei o lado mais fraco... Sofri por amar demais, por fazer de você minha prioridade, por mesmo sem ter tempo, sempre arrumava um pouco de tempo pra você, pois tempo é uma questão de preferência, e eu sempre preferi você...
Se hoje sofro é porque fui egoísta, pois sempre pensava em fazer o melhor, em ser melhor, em ser única para você... esquecendo muitas vezes de mim.
Sei onde errei... queria te guardar e te proteger de tudo e de todos, queria seu amor só para mim.
Mas isso era impossível para você, nunca demostrou que precisava de mim, que eu era única, e sua prioridade. Seus compromissos geralmente eram sempre mais importantes do que passar um tempo comigo. E mais uma vez eu repito "tempo é uma questão de preferência", eu precisava mendigar um pouco dele.
Hoje, mesmo cansada e encharcada pelas tantas lágrimas, vejo com mais clareza o quão cega eu fui, era incapaz de ver que essa sua falta de tempo, se traduzia em falta de amor...
Se tive crises de ciúme, se invadi sua privacidade, se me machuquei, foi tudo para tentar chamar sua atenção para mim...
Se hoje a luz dos meus olhos se apagarem, estarei minimamente feliz, pois estou certa que cheguei ao extremo, e que minha força consiste nisso, em lutar até o meu limite por aquilo que amo... dessa vez fracassei, mas não fracassei por não ter lutado, meu fracasso é em conjunto com você, que se negou a lutar comigo, desistindo de mim, desistindo de nós, sem ao menos me alertar que eu estava te perdendo...
Ah! Mas como fui cega! Que não consegui ver a falta de amor estampada ali, diante dos meus olhos...
Nos últimos dias você me desejava, mas não amava, eu não via que amor e desejo nem sempre andam juntos...
Meu maior erro, foi amar demais e querer ser correspondida da mesma maneira. Quem ama faz tudo pelo ser amado... Agora você é livre, nada mais posso fazer... Já bateu suas asas e voou para longe de mim...
Obrigado por ter me proporcionado os melhores momentos da minha vida!
Obrigado por ter me feito acreditar que fosse para sempre, e por ter me dado mais uma desilusão...
Obrigado por me deixar afundando... sangrando...
Pois graças a você estou aprendendo a ser forte. E força não se consiste apenas em lutar até as últimas consequências, mas consiste também em saber "bater em retirada" e desistir quando a batalha já está perdida.
Estou batendo em retirada, pois essa batalha eu já perdi, e continuar lutando é suicido!
Eu falhei com você, mas acredite, você também falhou comigo...


Desculpem pelo conteúdo infame dos meus últimos escritos, mas eu me encontro incapaz de sentir qualquer outra coisa... estou anestesiada pela dor...


A.C.S.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Encruzilhada - Parte 1

11 de julho de 2010... Domingo... Último dia, último beijo, último olhar, último sorriso...
"Quando a paixão acaba, sobra o amor..."
O tempo foi passando e a rotina foi se tornando presente, e o fogo da paixão se apagou. O amor ficou. Sobrevivemos ao tempo, a distância, porém nosso amor não era forte o suficiente para sobreviver as diferenças. De um lado alguém carente, de carinho, de atenção, de amor... De outro alguém extremamente independente, que aparentemente não precisa de ninguém, que sozinho se basta. Chegamos ao nosso limite, não restaram forças para continuar lutando, nos demos por vencidos e desistimos um do outro.
O que sobrou?
Dois corações machucados, e um amor cansado, calado, que será reprimido pelo tempo, e por uma futura amizade. Uma amizade que poderá ser mais forte do que o amor que sentíamos...
O tempo que compartilhamos, os sonhos que sonhamos, as lágrimas que derramamos... As lembranças felizes que tivemos, é o que servirá de consolo quando a saudade bater e as lágrimas chegarem aos olhos transbordando o vazio que ficou...
Não era nosso tempo, nos perdemos pelo caminho, nossos planos não eram os mesmos, saímos de sintonia. Por que?
Por que um amor tão bonito foi acabar assim?
Porque fomos fracos, nos acomodamos enquanto víamos o tempo passar e nossos caminhos se dividirem... Acabou não porque não era amor, acabou por não sabermos amar, por acreditarmos que ideal é aquele que suprime todas as nossas necessidades, quando na verdade ideal é aquele que nos aceita incondicionalmente e nos ajuda a nos aperfeiçoar.
Agora só restou as lembranças de uma vida que um dia foi a nossa vida... Talvez um dia dessa amizade ressurja o amor que um dia nos uniu... E que mesmo machucado, ainda existe dentro de mim. E talvez nesse dia estejamos maduros o suficiente para dar continuidade a nossa história.
Talvez... Por agora a única certeza que temos é que precisamos de tempo, pois só ele dirá qual será o real desfecho dessa história.




A.C.S.

Egoísmo

Sinto falta de você.
Mas o que sinto falta é de tudo o que é seu e me falta.
Sinto falta de minhas faltas que em você não faltam.
Sinto falta do que eu gostaria de ser e que você já é.
Estranho jeito de carecer, de parecer amor.
Hoje, neste ímpeto de honestidade que me faz dizer,
Eu descobri minhas carências inconfessáveis que insisto em manter veladas.
Acessei o baú de minhas razões inconscientes
E descobri um motivo para não conitnuar mentindo.
Hoje eu quero lhe confessar o meu não amor, mesmo que pareça ser.
Eu não tenho o direito de adentrar o seu território
Com o objetivo de lhe roubar a escritura.
Amor só vale a pena se for para ampliar o que já temos.
Você era melhor antes de mim, e só agora posso ver.
Nessa vida de fachadas tão atraentes e fascinantes;
nestes tempos de retirados e retirantes, seqüestrados e seqüestradores,
A gente corre o risco de não saber exatamente quem somos.
Mas o tempo de saber já chegou.
Não quero mais conviver com meu lado obscuro,
E, por isso, ouso direcionar meus braços
Na direção da dose de honestidade que hoje me cabe.
Hoje quero lhe confessar meu egoísmo.
Quem sabe assim eu possa ainda que por um instante amar você de verdade.
Perdoe-me se meu amor chegou tarde demais,
Se meu querer bem é inoportuno e em hora errada.
É que hoje eu quero lhe confessar meu desatino,
Meu segredo tão desconcertante:
Ao dizer que sinto falta de você
Eu sinto falta é de mim mesmo.

Padre Fábio de Melo


É comum confundirmos o amor com a projeção... No ato de se apaixonar projetamos no outro tudo aquilo que idealizamos para nós. O amor vem com a convivência. Quando projetamos no outro o que nos falta, ali vemos a chave para completude. Assim, nos iludimos na esperança que o outro nos dê aquilo que nos falta. Ledo engano! Pois o que é do outro jamais será nosso. O amor não foi feito
para suprimir, mas sim para aperfeiçoar.

Somos um eterno "vir-a-ser", em constante construção, seres inacabados, por isso somos seres faltosos também. Desse modo é preciso nos aceitar tal como realmente somos, sem idealizações, para que assim possamos aceitar e ser aceito pelo outro. Isso é amor... Aceitação incondicional! Aceitar-se e aceitar o outro para que possamos nos aperfeiçoar e nos desenvolver de maneira plena nesse processo.

Precisamos nos ver por outra ótica, vermos que não existem qualidades em uns e defeitos em outros, o que existe são características singulares de cada um, nos diferenciando uns dos outros. A partir de uma nova visão poderemos projetar menos e amar mais... Transformar o amor ideal em real...


* Projeção: Em psicologia, projeção é um mecanismo de defesa no qual os atributos pessoais de determinado indivíduo, sejam pensamentos inaceitáveis ou indesejados, sejam emoções de qualquer espécie, são atribuídos a outra(s) pessoa(s). De acordo com Tavris Wade, a projeção psicológica ocorre quando os sentimentos ameaçados ou inaceitáveis de determinada pessoa são reprimidos e, então, projetados em alguém.

Acredito que a projeção não para por aí. Projetamos o tempo todo, vemos o mundo externo a partir do nosso mundo interno, portanto projetamos (atribuímos ao outro) tanto conteúdos negativos, como conteúdos positivos.




A.C.S.