domingo, 25 de março de 2012

Sem sincrônia

Meu corpo se movimenta conforme as batidas da música.
Mas minha mente, meu espírito, nada sentem...
Permanece aquela inércia total!
Agora entendo o incomodo que Dexter fala a respeito de se ajustar,
É tortura fingir emoções que não se sente.
As vezes tenho a sensação de que tudo o que eu fiz foi tentar me ajustar...
Queria poder olhar o mundo com olhos de um sonhador,
Mas parece-me que isso foi-me privado.
Gostaria de fazer uma última promessa:
A de que agora em diante apenas o meu desejo prevalecerá!


A.C.S.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Deixa eu te olhar

Deixa-me te olhar... e te olhar... e te olhar...
A fim de gravar no mais íntimo de minha memória
Todos seus contornos, e texturas, e cores que te preenchem.
Deixa-me te olhar de bem perto...
Para que cada detalhe seu seja registrado e nunca mais esquecido.
Deixa-me observar teus gestos, sentir teu cheiro, provar teu gosto,
Pois se um dia meus olhos se apagarem, e não puder mais te ver
Dentro de mim as lembranças de todas as suas formas e cores
Permaneceram vivas, refletindo a luz que foi-me privada de ver...

Um dia a luz dos meus olhos poderá se apagar, e então não restará mais nada em que eles possam se focar... até que chegue esse dia, eu quero ter o prazer de olhar demoradamente para cada pessoa, cada objeto, cada ser vivo que cruzar meu caminho.
Quero olhar o contorno e as formas, a textura e a coloração que as preenche, e gravar tudo em minha memória a fim de nunca as esquecer.
Há tantas coisas em que não prestei atenção, seja por pressa, por falta de atenção, deixei de admirar muitas coisas...
Quero voltar a ver a vida com olhos de um sonhador...


A.C.S.

domingo, 11 de março de 2012

Na borda

Nos enganamos com tanta frequência. Não porque outras pessoas nos enganam, mas porque nós mesmos nos enganamos.
Pensamos, refletimos, pensamos e refletimos de novo, e pensamos e refletimos mais uma vez, e parece que nunca é o bastante. Que nunca nos conhecemos 100%, algo sempre se perde, fica para trás.
E esperamos tanto por algo, e quando o conseguimos, já não tem mais valor, já não faz mais sentido, parece superficial. Isso frusta, assusta e intimida, pois como é possível nos iludirmos com desejos, sonhos e fantasias que nós mesmos criamos?
Fico me perguntando se tudo isso é consequência do meu estado de inércia total...
As vezes me sinto anestesiada, como se não houvesse mais nada para sentir além do abismo diante de mim.
Invadida por uma sensação de queda livre, eu sinto a vida me pregando mais uma de suas peças...
Eu estou perto da borda, sinto que estou caindo...
Andando em círculos... enquanto essas palavras ecoam dentro da minha cabeça:
"Ela era uma garota que odiou o mundo
Usou seu corpo para refletir sua alma
Todas as vezes eles a quebravam e rasgavam seu coração, deixando-a na dor
Ela sobreviveu a toda tristeza mantendo a dor escondida
Ela mentia com um sorriso no rosto
E as cicatrizes escondidas
De joelhos, ela sangrou no chão
Toda tristeza que ela guardou a fez cega
Abrindo os seus olhos, ela viu que estava sozinha
Quem poderia explicar a corda tão apertada na noite em que ela morreu?
Com um sorriso no rosto ela escondia a dor por dentro..."

A.C.S.


"E é que somos fatalmente estranhos a nós mesmos, não nos compreendemos, temos que confundir-nos com os outros, estamos eternamente condenados a esta lei: 'não há ninguém que não seja estranho a si mesmo'".(NIETZSCHE, Friedrich. A Genealogia da Moral, 1887)

sábado, 10 de março de 2012

O inevitável



Em questão de segundos tudo pelo que eu havia vivido perde o sentido...
E um mal estar se apodera da minha alma.
As risadas forçadas quase me matam por dentro.
Tento negar que sinto medo.
Medo de confessar meus fracassos, os sonhos não sonhados, os riscos não corridos, tudo aquilo que eu deixei passar por medo de tentar...
Durante toda uma vida eu fui aquela politicamente correta.
Hoje, me pergunto o porquê, de que me valeu tanto esforço, se no fim sou eu quem acaba sempre sozinha...
É inevitável me sentir assim...
Quando todas as coisas evidenciam meu estado.
E quando me dou conta entendo que ninguém é de ninguém, e que na verdade todos estamos sozinhos...
Mas eu posso deitar minha cabeça em meu travesseiro todas as noites sem arrependimentos...


A.C.S.