Que eu não me acostume
Hoje, enquanto instalava umas prateleiras aqui, me lembrei de um texto que escrevi em maio de 2010. Não sei exatamente como uma coisa levou à outra. Mas a cabeça foi fazendo conexões. Naquela época, durante o estágio de Psicologia Hospitalar, me deparei com uma situação de sofrimento que me marcou. Ao perceber meu estranhamento diante daquela realidade, alguém me disse que “a gente se acostuma”. E eu me lembro de ter me incomodado profundamente com essa ideia! Naquela noite, no silêncio do meu blog, escrevi sobre a importância de sustentar um olhar de estranhamento diante da realidade, de não naturalizar o sofrimento, de não transformar em paisagem aquilo que deveria continuar nos provocando perguntas. Dezesseis anos depois, continuo pensando sobre essas coisas. Mas já não sou a mesma. Quando releio aquele texto, sinto orgulho da jovem que fui. Orgulho de perceber que, mesmo tão nova, eu já me inquietava com o sofrimento alheio, me importava com as diferenças e questionava aquilo que m...



