Diário aberto: Feliz 2026

 Trecho do diário de Alessandra

Enquanto preparo um banho de limpeza e purificação, observo os pensamentos que surgem sobre o que desejo para o ano que começa. Questiono se um ritual seria suficiente para tornar a vida mais “leve”. Retomo uma reflexão da minha última sessão de terapia: com o passar dos anos, tornei-me mais cética e talvez mais pessimista (ou realista?). Não acredito na leveza da vida como condição; a realidade é dura. No entanto, quando reconhecemos nossa co-responsabilidade na construção da própria história e compreendemos que fazemos escolhas, a vida não se torna mais leve, mas mais possível de ser sustentada.

Em 2025, percebo que me dediquei intensamente ao cuidado com os outros, muitas vezes em detrimento de mim mesma. Ainda assim, foi também um ano de aprendizagem sobre limites — internos e externos — e sobre a importância de nomeá-los.

Dou continuidade a um processo iniciado em 2023: fazer as pazes com as diferentes partes que me constituem, a menina e a mulher que coexistem em mim. Tenho experimentado, com mais frequência, a possibilidade de estar comigo sem desconforto. Estar deitada na rede, escrevendo estas linhas, é resultado de uma escolha consciente.

Sigo para o meu banho de limpeza e purificação, sustentando o desejo de que, em 2026, possamos enfrentar os desafios com maior maturidade emocional e resiliência. Que sejamos capazes de nos desconstruir e reconstruir sempre que necessário, em direção a versões mais éticas e cuidadosas de nós mesmos.

Que possamos estar mais próximos das pessoas que amamos, realizar o que for possível, e que a dor e o sofrimento — inevitáveis — não nos impeçam de sonhar.


31/12/2025




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