terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Além do que seus olhos podem ver - parte V

Tantos planos... tantos sonhos vividos... tantas conquistas por virem... e de repente, tudo se perde, tudo se acaba, como a chama de uma vela que um suave vento apagou...
É difícil voltar!
É difícil retornar para a vida que você fugiu a vida inteira, talvez a questão seja essa: fugir! Talvez, eu deva parar de lutar e deixar meus demônios emergirem.... talvez o preço da liberdade seja esse... talvez, a liberdade seja apenas um estado de espírito imaginário...
Tantos "talvez", e certeza nenhuma...
Eu olho a vida lá fora, e me parece bem seguro aqui, dentro de mim mesma. Mas quanto tempo até me sufocar? Quanto tempo até me afogar sozinha dentro de meus próprios sentimentos?
Talvez esta seja a grande sacada da vida: não gastar tanto tempo planejando um futuro que não existe, mas estar pronto para o que vier, como vier, quando vier, de quem vier, de onde vier...



A.C.S.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Cativar é criar laços


Certa vez a Raposa disse ao Pequeno Príncipe: "Se queres um amigo, cativa-me!", "mas, o que é cativar?", questionou o principezinho. "Cativar é criar laços, algo muito esquecido pelos homens".
O que é criar laços? O que é um vínculo afetivo?
Talvez esse conceito esteja um tanto deturpado nos dia de hoje. Muitos de nós acreditamos que se vincular a alguém é conquistar seu desejo, é bater um papo de vez em quando, ou como se diz "ficar". Acredito que vínculo afetivo requer algo mais. Vínculo real não se pode dar no efêmero, no fugaz... Um vínculo exige tempo, exige doação, muitas vezes exige resolução de dificuldades. Em um vínculo, existem conflitos também, mas para um progresso, uma evolução.
Coisas que Jesus fazia o tempo todo! Apontava jardins secretos em aparentes desertos. Na aridez do coração de Maria Madalena, Jesus encontrou rosas, e fez vê-las e lhe chamou a atenção para a necessidade de cultivá-las.
Em nossos dias não vemos mais flores e jardins sendo cultivados, vemos apenas desertos, e o amor esfriando. Vemos pessoas serem descartadas na primeira dificuldade. Não há doação, não há tempo, não há entrega... O efêmero e o fugaz prevalece! O ser humano se tornou objeto de suas próprias relações. Nos tornamos indiferentes, esquecemos o que é amar. Nos fechamos em nosso mundo egocêntrico, e ali pensamos  apenas em nós mesmos, esquecemos que existe um outro.
Mas, mais uma vez eu pergunto: O que é se relacionar?
Se relacionar é estar-com!
Hoje nos relacionamos de maneira superficial, alguém te pergunta "tudo bem?" e de maneira automática você responde "tudo e vc?". Não consigo deixar de me perguntar se queremos realmente saber como o outro está, se estamos realmente dispostos a ouvir o que outro tenha a dizer, caso não esteja tudo bem.
Por isso, relembro o Pequeno Príncipe, que tanto nos ensina sobre o vínculo. Ele tinha uma rosa, e ela era única no mundo. Todos nós somos rosas únicas no mundo para Deus. E vc? Quantas rosas únicas você tem?
O Pequeno Príncipe ainda nos ensina que somos responsáveis por aquilo que cativamos. E que ao nos vincularmos a alguém, esse alguém deixa de ser qualquer pessoa, é a pessoa do nosso vínculo, que compartilhamos uma história. Ela sabe quem somos, e nós sabemos quem ela é.
Podemos comparar o vínculo com os elos de uma corrente, eles estão conectados entre si e juntos, ao contrário da crença romântica, não se tornam um, juntos se tornam um mais um, juntos se tornam mais do que poderiam ser sozinhos, cada elo carregando suas particularidades, e o conjunto se torna mais belo que o individual.
Sozinhos, pouco somos!
"Eu sou a videira; vos sois as varas; quem permanece em Mim e Eu nele, esse dá muitos frutos; porque sem Mim nada podeis fazer". (Jo 15:5). Jesus nos pediu: "Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei". (Jo 15:12). Jesus quer que criemos laços, que cativamos!
Acreditamos que o sentimento precisa vir antes da ação. E se eu disser que a ação precede o sentimento?

Amor = sentimento
Amar = ação

Assim: o amor (sentimento) vem da decisão de amar (ação).
Portanto, amar é uma decisão!
Jesus se fez homem, como cada um de nós, e amou seus amigos e seus inimigos também. Em todo o momento Ele colocava em prática o verbo amar. Em João 15:13 diz: "Ninguém tem maior amor do mundo do que aquele que dá a vida pelos seus amigos".
Jesus deu a vida por nós, e nós estamos dispostos a dar a vida em amor ao próximo? "Dar a vida", aqui, não implica necessariamente em morrer pelo outro como Jesus fez na cruz do calvário. Mas cativar, criar laços, doar-nos, cedermos aos nossos caprichos e voltar nosso olhar para o outro.
Jesus salvou o mundo do pecado. Nós podemos levar o mundo a conhecer o Seu Salvador e assim, salvarmos o mundo da indiferença, pois:
"Melhor é serem dois do que um, pois se caírem, um levantará o seu companheiro; mas ai do que estiver só. pois caindo, não haverá outro que o levante". (Ec

4:9-10).


 
A.C.S.