domingo, 28 de setembro de 2014

Vinte e poucos anos


Nós vamos envelhecendo e aprendendo a importância da autonomia, de sermos protagonistas da nossa própria história. Vamos aprendendo o valor de se fazer as coisas que nos dão prazer na vida, prazer em viver e se sentir vivo.
Com o passar do tempo, com alguns anos a mais, as olheiras surgem com mais facilidade conforme suas horas de sono são perdidas, e você passa a gostar mais de estar consigo mesmo, e sair sozinho já não parece mais o fim do mundo.
Com o transcorrer das horas, nos percebemos mais intolerantes com certos tipos de coisas, mais exigentes com os outros e consigo mesmo. E o número de amigos começam a diminuir, e a frequência com que você passa um certo tempo com eles diminuem mais ainda, até que você entende que eles também estão crescendo, que eles também estão envelhecendo, e que os propósitos de hoje, já não são os mesmos de ontem, e que a falta de tolerância na verdade é maturidade, é objetividade, é menos dúvidas e mais certezas.
As horas, os dias, o anos, as olheiras, as rugas, trazem experiência, conhecimento... Nós precisamos enxergar oportunidades  nos jardins áridos que nos rodeiam, e saber agarrá-las, pois com "os anos a mais" que vamos adquirindo percebemos que já não temos mais todo tempo do mundo e que viver agora é uma urgência.


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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

...

Um sorriso por fora... lágrimas por dentro... porém hoje não me contive, e as lágrimas teimaram em descer. Quando passamos muito tempo sufocando nossos sentimentos, quando menos esperamos eles emergem, mesmo em um sermão falando de sonhos.
Sonhos... ah, os sonhos... Existe muito pouco deles em mim. As circunstâncias das vida se encarregaram de matá-los um a um. Não sei mais se posso dizer que tenho um sonho, me restou apenas ambições.
Impotência... palavra que assusta, mas sensação que insiste em me seguir por entre essas ruelas da vida onde me escondo, na esperança em que alguém me encontre e me leve ao centro, nas avenidas do viver.
Quando nos calamos por muito tempo as palavras desaprendem o caminho da pronúncia... Quando passamos muito tempo sozinhos, um muro invisível é construído, nos separando do vínculo, de modo que qualquer gesto é digno de desconfiança.
Mas o que fazer para quebrar essa barreira? Como vencer nossos demônios interiores, e dar vasão ao guerreiro da luz?
Perguntas... tantas perguntas... e tão poucas respostas... Mas de que me valeria ter todas as respostas e não saber como fazer uso delas? Mais perguntas...
Quando nossos sentimentos mais profundos e reprimidos forçam para sair, se torna difícil demais nomeá-los. É como se todos eles se fundissem, não importa o que digamos nenhuma palavra dará o significado, o sentido e a  dimensão exata do que borbulha dentro de nós...

A.C.S.



sexta-feira, 5 de setembro de 2014

So, cry now


No silêncio você chora,
Chora pela noite, chora pelo frio, chora pela solidão...
Ah, a solidão... única e terna companhia.
Aquela que te abraça nas longas e frias madrugadas sem sono.
Enquanto sozinho você faz promessas a si mesmo das quais não pode cumprir.
O caminho é solitário, e ninguém pode percorrê-lo por você...
E as lágrimas confessam a dor que as palavras não podem confessar.
As vezes é preciso apenas deixar ir, e deixar que o tempo cure toda a dor.
Mas você não quer sentir...
Pois se torna difícil se mover a cada dia com todas essas cicatrizes ao longo da vida.
Então você se recusa a ficar ficar sozinho,
Fecha seus olhos e faz uma oração...
Respira fundo, mas nada acontece.
Alguém te ouve?
Você é capaz de ouvir a si mesmo?
Nega o tempo todo o remédio para sua doença.
Então chora...
Chora por ser incapaz de renascer... de transcender... de sentir qualquer coisa para além da sua
dor.
Pegue minha mão...
Atravessarei céus e infernos se necessário para anestesiar sua dor.
Fique comigo...
E o ar frio da noite não mais te alcançará.
Seja em mim o antídoto que me fará respirar novamente e eu serei em você a cura para todas as suas noites de solidão.


A.C.S.