Da série: Sobre lutas e lutos
Engraçado, como sempre que meu corpo pede uma pausa, minha mente insiste em vagar por lugares que eu tanto tento evitar.
Engulo as lágrimas enquanto aguardo retorno médico.
Não poderia ter sido diferente, porque é assim que é!
Algumas escolhas são necessárias, algumas escolhas nos são forçadas. Nos resta poucas ou nenhuma opção. É como acontece nas guerras, as vezes insistir em continuar lutando é suicídio. Às vezes bater em retirada é necessário para se ter a oportunidade de sobreviver e buscar outras formas, outras oportunidades... outras lutas... com outros lutos...
Sobreviver...
É isso que estou fazendo? Sobrevivendo?
Quando a esperança não é uma opção, sobreviver me parece um bom ponto de partida.
"Até parar de bater".
A vida é tragicômica.
Viver ou sobreviver? Quais as renúncias implicadas ao se tentar evitar as tragédias da vida?
O que eu mais queria, é justamente aquilo que me atinge de forma mais letal. O que eu mais queria era que alguém estivesse aqui segurando minha mão, sem me oferecer garantias de que tudo vai ficar bem. A vida não nos dá garantias. Mas queria a confiança de que não soltarias a minha mão, permaneceria aqui ao meu lado, mesmo quando nada está bem.
A. C. S., 20 de junho de 2024.

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