domingo, 11 de março de 2012

Na borda

Nos enganamos com tanta frequência. Não porque outras pessoas nos enganam, mas porque nós mesmos nos enganamos.
Pensamos, refletimos, pensamos e refletimos de novo, e pensamos e refletimos mais uma vez, e parece que nunca é o bastante. Que nunca nos conhecemos 100%, algo sempre se perde, fica para trás.
E esperamos tanto por algo, e quando o conseguimos, já não tem mais valor, já não faz mais sentido, parece superficial. Isso frusta, assusta e intimida, pois como é possível nos iludirmos com desejos, sonhos e fantasias que nós mesmos criamos?
Fico me perguntando se tudo isso é consequência do meu estado de inércia total...
As vezes me sinto anestesiada, como se não houvesse mais nada para sentir além do abismo diante de mim.
Invadida por uma sensação de queda livre, eu sinto a vida me pregando mais uma de suas peças...
Eu estou perto da borda, sinto que estou caindo...
Andando em círculos... enquanto essas palavras ecoam dentro da minha cabeça:
"Ela era uma garota que odiou o mundo
Usou seu corpo para refletir sua alma
Todas as vezes eles a quebravam e rasgavam seu coração, deixando-a na dor
Ela sobreviveu a toda tristeza mantendo a dor escondida
Ela mentia com um sorriso no rosto
E as cicatrizes escondidas
De joelhos, ela sangrou no chão
Toda tristeza que ela guardou a fez cega
Abrindo os seus olhos, ela viu que estava sozinha
Quem poderia explicar a corda tão apertada na noite em que ela morreu?
Com um sorriso no rosto ela escondia a dor por dentro..."

A.C.S.


"E é que somos fatalmente estranhos a nós mesmos, não nos compreendemos, temos que confundir-nos com os outros, estamos eternamente condenados a esta lei: 'não há ninguém que não seja estranho a si mesmo'".(NIETZSCHE, Friedrich. A Genealogia da Moral, 1887)

Nenhum comentário:

Postar um comentário