Uma das lições da Raposa ao Pequeno Príncipe



SÁBADO, 02 DE MAIO DE 2020

O pequeno Príncipe continua me ensinando lições valiosas.
Para mim a estória do principezinho e do aviador é muito mais do que apenas cativar e criar laços. Para mim, é uma estória de despedidas. Pelo menos, são os flash que me vem a cabeça na eminência de uma ruptura.
Hoje, o pequeno Príncipe em sua jornada me mostra como as relações são transitórias, e sobretudo como pequenos relacionamentos podem ser extremamente significativos e deixar marcas profundas na memória se nos permitimos cativar.
Cativar é criar laços, e criar laços é estabelecer vínculos, se relacionar, "estar com". Afinal de contas, "só se conhece bem as coisas que cativou", foi o que disse a Raposa ao principezinho.
E em sua jornada, dentre todos os encontros, foi na figura da Raposa que o Pequeno Príncipe se permite cativar e ser cativado, talvez por isso tenha sido o encontro mais importante e duradouro. E desse encontro real, a despedida. Afinal, as relações são transitórias. Mas, a gente corre risco de chorar quando se deixa cativar.  Sim, é verdade! Mas é que quando nos fechamos pra dor, nos fechamos para todo o resto.
E se não fosse assim, não provaríamos da simplicidade de momentos grandiosos ao lado das pessoas que amamos. Não descobriríamos o preço da felicidade. Porque "se tu vens, por exemplo, as quatro da tarde, desde as três começarei a ser feliz".
Nesse encontro, o pequeno Príncipe aprende sobre  o valor do estabelecimento de vínculos reais, ele estava em busca de amigos, e no encontro com a raposa descobriu que um veículo real requer tempo, doação, e muitas vezes resolução de problemas.
"Foi o tempo que dedicaste à tua Rosa que a fez tão importante", ensina a Raposa ao principezinho. Notem que a jornada do principezinho se dá como uma forma de encontrar respostas para resolução do conflito estabelecido entre ele e sua Rosa. Em vínculo reais também, encontramos dificuldades. Mas estas nos levam para um progresso e evolução. 
Um vínculo real não se dá no efêmero! Relações superficiais não te tiram da sua zona de conforto, não te fazem progredir e evoluir, não te fazem querer ser uma pessoa melhor.
Ao nos vincularmos a alguém, esse alguém deixa de ser qualquer pessoa, é a pessoa do nosso vínculo, com quem  compartilhamos uma história. Ela sabe quem somos, e nós sabemos quem ela é.
A jornada do Pequeno Príncipe, nos mostra que em um mundo que se faz deserto, temos sede de encontrar amigos. Mas, "tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas". Assim, a forma como construímos e conduzimos nossas relações é de inteira responsabilidade nossa. O outro só nos faz aquilo que permitimos.
"Se querer um amigo, cativa-me".

A. C. S. (maio de 2020)

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