Lutas e lutos
TERÇA-FEIRA, 25 DE MAIO DE 2021
Em tempos de pandemia parece que a única coisa que o mundo tem nos oferecido são lutas e lutos. Eu vejo os otimistas falando que ainda temos motivos para comemorar. Como uma boa pessimista que sou, eu pergunto: o que temos para comemorar? Todos os dias milhares de pessoas morrem, e não há perspectivas para um mundo melhor, não quando o melhor de nós também morre vagarosamente.
Recentemente, tenho refletido muito sobre o quanto de vida abdicamos em nome do trabalho, o quanto dos nossos relacionamentos estão sendo sacrificados em prol da escravatura do capitalismo. Será que realmente precisamos de tudo isso? Será que teremos tempo de usufruir todo conforto que almejamos? Será que conseguiremos nos recompor de toda exaustão mental e emocional a que nos expomos? Eu não sei ainda, pois me sinto exausta dia após dia.
Em meio a todo esse caos, meu pessimismo me faz pensar que o otimismo é uma falácia! Mas precisamos de ambos os lados se quisermos ser realistas. Pois quando buscamos ver somente o lado bom das coisas, vamos nos permitindo a conviver com todo o resto, normatizando todo o lixo (literal e figurativamente) produzido por nós. Mas por outro lado, também temos muitas coisas boas sendo produzidas.
É tempo de lutas e lutos.
E em toda batalha há quem ganha e há quem perde.
E em toda escolha há renúncia.
Se você tem tudo, mas quando sua vida desmorona não tem para onde ir... você nada tem!
E eu não me refiro a um lugar físico necessariamente, mas um lugar de conforto, aconchego e aceitação.
No momento em que nos encontrarmos totalmente perdidos, sem referência alguma, vamos entender que o que realmente importa nessa vida são as relações que construímos.
Se você tem um lugar para onde ir, você já é mais afortunado do que muita gente por aí.
A.C.S., 2021


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