A morte da pequena criança que vivia em mim

SÁBADO, 22 DE MARÇO DE 2008


Ela desejava acordar então daquele sonho, ou melhor, do pesadelo que vivia. Mas, conforme o tempo foi passando, não restava dúvidas: ela não estava dormindo. O que então poderia ser feito?
Seu desejo era correr pra longe... fugir... para onde iria?
Não se pode escapar da verdade.
O tormento era diário, um inferno sem fim, a tristeza era sua única saúde, precisava morrer para se sentir viva.
Mas seria a morte a única saída?
Tudo o que ela queria era se sentir forte o bastante, o suficiente, necessitava ser aceita tal como era, com todos os seus avessos.
Não tinha um lar, em casa onde poderia encontrar conforto, era onde se sentia ainda mais sozinha, queria deixar aquele lugar, não adiantava.
Ela odiava o mundo, toda tristeza que ela guardava sem ninguém perceber, escondida atrás de um sorriso no rosto, sem nem saber como sobrevivia a isso, as cicatrizes ela as escondia.


De joelhos ela sangrou em silêncio, essa vida sem esperanças ela não mais queria. Ninguém soube os motivos daquela corda em volta do seu pescoço na noite em que morreu.





A.C.S.

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