sábado, 31 de dezembro de 2011

Daquela tarde em que sua vida se esvaiu

A todo instante o vejo derramar um pouco daquele líquido incolor em seu copo. Cada gole ingerido simboliza um pouco de sua dor, de suas angústias e ansiedades, e é claro, um pouco de sua própria vida se esvaindo.
É como se o desespero de degustar uma vida melhor fosse lentamente adormecido, cessado, a cada gole.
Sua garganta queima, conforme aquele líquido vai descendo, assim como a dor de uma vida solitária, de uma vida desgraçada, desprovida de amor.
Em seu interior o líquido queima em seu estômago e flui em sua corrente sanguínea, liberando e/ou inibindo alguns neurotransmissores, lhe causando uma sensação de bem estar, e suprimindo aquela necessidade de amor, amor que sempre lhe fora negado.
Seus olhos não tem mais brilho, assim como seus dias vividos em escalas de cinza. Quando foi que a luz em seus olhos se apagou? Quando foi que seus sonhos morreram e a esperança acabou?
Em um ciclo vicioso, um ciclo de hábito, velhos sentimentos lhe consomem, ao mesmo tempo que na tentativa de se sobressair, o velho líquido lhe consome.

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